Casa de madeira encontrada em Roma recria cenário pompeiano na antiga capital do império.

Estruturas de madeira, pequeno pavimento em mosaicos, afrescos e até ossadas de animais foram trazidos à luz durante escavação arqueológica nas construções de nova linha de metrô

 

Com o início dos trabalhos para o novo metrô C, em Roma, vieram à tona diversos artefatos arqueológicos que apresentam detalhes do mundo romano antigo e, talvez, ainda desconhecido por sua variedade de materiais preservados, sobretudo, pela história que se esconde por trás desses achados. Desde então, tem sido oportuno para equipes de arqueólogos e historiadores se aproximarem desse sítio e realizarem contínuas pesquisas, como o que tem acontecido: é uma ocasião para que novas descobertas revelem os segredos da cidade através dos séculos, por isso os trabalhos de ampliação do metrô C são seguidos em conjunto com minunciosas escavações e achados arqueológicos relevantes. Um desses fatos curiosos e muito importante para a arqueologia foi revelado recentemente sob o canteiro de obras do metrô, situado na via Amba Aradam, no centro de Roma. O local é protegido por paredes de concreto com oito metros de diâmetro e quatorze de profundidade, dos quais dez já foram escavados. Tratam-se, supostamente, de dois compartimentos de uma casa, onde encontraram restos de madeira carbonizada, que eram parte de móveis, além de alguns mosaicos e afrescos.

Basicamente, era uma edifício de madeira, cujas peças permaneceram intactas. É um achado de extrema importância para a arqueologia de Roma, já que é a primeira vez que um grande artefato como esse – e ainda com revestimento em madeira e restos de vidros – é descoberto bem preservado. A imprensa italiana divulgou a descoberta como um pequeno cenário ou pequena Pompeia em Roma, em virtude da qualidade do material e dos elementos em torno, os quais apresentam uma narrativa dos acontecimentos do cotidiano naquele mundo antigo, até o momento de um trágico incêndio. A construção é possivelmente datada entre os séculos II e III d.C.

 

De acordo com a Superintendência Arqueológica, guiada por Francesco Prosperetti, tal preservação só seria possível sob condições ambientais e climáticas excepcionais, ou após um evento extraordinário, exatamente como o que ocorreu em Pompeia e Herculano[1]. A hipótese sustentada até o momento é a de que a casa fora destruída devido a um incêndio, provocado possivelmente por um terremoto – caso a ser ainda analisado pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia.

O início das descobertas aconteceu no final de Maio deste ano, e já se pode obervar um sótão de madeira, seguidos de uma ampla pavimentação de mosaico, além de fragmentos de pinturas nas paredes, ou afrescos. Posteriormente, em pedaços de um banco e de uma mesa de madeira foi identificado um trabalho de carpintaria bastante elaborado, igualmente encontrado em outras peças como caixas e um batente que ainda cotinha o vidro da janela. Incrivelmente, restos de um cachorro e de outro animal menor – supostamente seu filhote, ou até mesmo um gato – são partes do que foi encontrado nas escavações. Seus esqueletos estavam posicionados em frente ao que seria a porta de acesso ao edifício, o que demonstra que eles ficaram presos logo após o desabamento do teto da casa, pelo incêndio, e não puderam fugir. Vale enfatizar que a ideia de que houve um desabamento se deve pela presença dos restos do sótão no pavimento da casa. Nesse pavimento, vê-se uma obra de arte de grande valor, que são mosaicos em preto e branco, com dupla moldura, repleta de desenhos de flores e ondas.

Diante da quantidade de informações que podem ser extraídas do “cenário” descoberto e da disposição de seus artefatos, os estudiosos acreditam que a estrutura poderia pertencer a um quartel encontrado nas proximidades – Via Ipponio – também durante os trabalhos da construção do metrô. Os arqueólogos ainda identificaram a presença de um sistema de rescaldamento, talvez por meio de termas, e um revestimento luxuoso, composto por mosaicos, afrescos, e mármore em algumas paredes. As técnicas na edificação das estruturas revelam-se semelhantes e, portanto, a casa poderia ser um ambiente de reuniões militares ou a suposta residência de um rico comandante ou aristocrata.

Esse dado levou os estudiosos a outra hipótese com relação ao tipo de habitação recorrente na época da média idade imperial romana[2] na região.  Para a arqueóloga Simona Morretta, a área de escavação, situada no bairro Celio, representou no passado uma forte presença de domus, ou casas luxuosas que correspondiam a aristocratas da época, além de uma série de edifícios militares, dentre eles o já citado quartel militar.

 Sabe-se que até a presente data, as técnicas de construção romana eram conhecidas por meio dos escritos do antigo arquiteto Vitruvius[3]: o material encontrado,no entanto, revela e comprova a particularidade das técnicas de construções dos edifícios romanos e da fabricação de móveis na época. A técnica descrita seria a inserção de vigas de madeiras ou de ferro interligadas através de hastes.

Os arqueólogos continuarão os trabalhos por pelo menos mais quatro metros de profundidade, até que toda a camada de artefatos arqueológicos seja explorada. Os achados serão conservados no Museu da Estação, projetado para a conservação do antigo quartel romano.

 

FONTE:


[1]Em 79 d.C, as duas antigas cidades romanas foram soterradas pelo púmice, poeira, e lavas expelidos pelo Vesúvio, após violenta erupção. Cerca de 1500 anos depois, grande parte de suas ruínas foram descobertas em perfeito estado, uma vez que o material vulcânico funcionou como uma cápsula do tempo, preservando inteiras ruas, bairros, casas de tijolos e madeiras, anfiteatros e templos. Pompeia e Herculano tornaram-se grande exemplo da arquitetura simples, discreta, realizada em pequenas residências, até a de grandes palácios; é também uma rica e curiosa fonte de informações acerca do cotidiano dos cidadãos romanos  no final do século I.
[2] Equivale ao período entre os séculos II e III da Era Cristã, aproximadamente.
[3] Século I a.C. Lançou as bases pra a arquitetura clássica.

 

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