Moedas romanas são desenterradas em Andaluzia

600 quilos de moedas de bronze foram encontrados dentro de ânforas datadas entre os séculos III e IV d.C

Trata-se de um importante achado arqueológico que aconteceu no município de Tomares, província de Sevilla, em Andaluzia, Espanha. Durante os trabalhos rotineiros em uma obra de tubulação de água, foram encontradas moedas romanas de bronze, que datam da época do Baixo Império Romano na Península Ibérica[1]. As moedas estavam dentro de antigas ânforas, ou vasos, num total de 19, os quais foram desenterrados cuidadosamente, revelando 600 quilos de moedas que possivelmente jamais estiveram em circulação.

Apesar dos cuidados, restaram intactos apenas 10 vasos que são mantidos no Museu Arqueológico de Sevilla. De acordo com a diretora do Museu, Ana Navarro, trata-se de uma descoberta de grande valor histórico, mas que ainda não é possível fazer declarações precisas a respeito até que os estudos e as investigações sejam finalizados. Entretanto, sabe-se que o valor estimado das moedas em euro equivale a milhões. Para Navarro, contudo, seu valor arqueológico é incalculável. “A maioria encontra-se muito bem cunhada, brilhante, o que significa que não possui desgate”, completa.

Com relação às ânforas, a diretora afirma que elas são extremamente pequenas para o armazenamento de vinho ou azeite, sendo assim, eram utilizadas para transportar outras mercadorias. Mas, curiosamente, esses antigos romanos as utilizaram para guardar ou esconder dinheiro. Acredita-se, portanto, que esses vasos foram especialmente construídos com o intuito de armazenar o dinheiro, que era parte de uma arrecadação ou tributo pago ao exército ou a funcionários públicos.

A pesquisadora explica que o Estado controlava a cunhagem de moedas, por isso, as que foram encontradas deveriam estar ligadas a algum tipo de poder público da região. Ela ainda afirma que toda a região na época romana era muito poderosa economicamente, por isso é possível também que as moedas tenham sido escondidas dentro de um forte ou edifício militar, devido a algum conflito entre poderes ou ameaças.

Esconderijo?
Não se sabe ao certo se as moedas contidas nos vasos teriam sido escondidas por conta de disputas econômicas ou militares. Foto: EFE
As ânforas
Esses pequenos vasos foram recuperados com o máximo de cuidado, porém nem todos permaneceram intactos. Seu curioso tamanho nos indica que possivelmente eles tenham sido construídos para armazenar dinheiro. Foto: EFE

AS MOEDAS E A ANTIGA HISPÂNIA

A maior parte das moedas encontradas são de bronze, mas os arqueólogos também encontraram algumas prateadas, as quais muitas delas não apresentam desgate: o que se supõe que aparentemente não entraram em circulação.

As moedas contêm estampas com inscrições dos imperadores Maximiano e Constantino[2], juntamente com imagens de alegorias romanas.

De acordo com Navarro, esse poderia ser um dos achados mais importantes referente ao Império Romano na região. “Entramos em contato com pesquisadores italianos, ingleses e franceses e chegamos à conclusão de que se trata de um dos descobrimentos mais importantes acerca do período da ocupação romana. É um grande achado, mas não se pode dizer o quanto é grande: é preciso terminar os estudos.”

Imagens
Conforme os pesquisadores, imagens dos Imperadores Maximiano e Constantino estão retratadas nas moedas, o que facilitou sua possível datação. Foto: Paco Puentes
Hispânia
Antiga região da Hipânia, durante o Baixo Impéro Romano (Séc. III – V d.C). Essa terra, após a ocupação dos romanos (séc. III a.C), havia sido dividida, e só encontrou seu ápice de estabilização no século I d.C. Foto: divulgação.

Por enquanto, os arqueólogos seguem realizando a limpeza do material, a fim de que não se deteriorize e possa apresentar boas condições de conservação. Só então ele depois poderá ser melhor catalogado.

A Direção Geral de Bens Culturais e Museus afirmou que fará uma solicitação à prefeitura para que sejam paralisadas as obras de tubulação e que se procedam os trabalhos arqueológicos. O pedido inclui também uma escavação de urgência.

FONTES:


[1] A conquista da região da antiga Hispânia remonta ao século III a.C, quando romanos e cartagineses guerreavam (Guerras Púnicas) pelo território da Península Ibérica. Com a derrota dos adversários, Roma obteve o domínio do que passou a chamar de Hibéria. No entanto, somente durante a época de Augusto (Séc. I), a região tornou-se estável para que se gorvernasse (pax romana). Por volta do século V d.C, com a ocupação dos Visigodos, os romanos já não possuíam mais sua estabilização de antes, e  sucumbiu o Império do Ocidente.
[2] De acordo com os bustos nas moedas, o período ao qual pertencem está entre os anos 286 d.C e 337 d.C. Nessa época, o Império Romano- que iniciava a declinar na parte ocidental –estava sob o comando dos imperadores Maximiano (250 – 310 d.C) e Constantino (272- 337 d.C), respectivamente, conforme são representadas as suas imagens.
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